HISTÓRIA DO JIU JITSU

O JIU JITSU

 

De uns tempos para cá, proliferaram as academias de lutas Orientais, sob as mais variadas denominações: Judô, Kung-fu, Tae-kwon-do, Aikido, Boxe Tailandês, etc. Algumas dessas academias são dirigidas por professores competentes. Mas outras têm na direção pessoas leigas, que não sabem exatamente o que ensinam advindos desse desconhecimento, as discussões sobre superioridade de tipo de luta sobre outras.

 

A verdade porém é que a base de todas as lutas é o JIU JITSU, que é composto de 113 estilos, dos quais somente 64 são conhecidos em nossos dias, podendo ser praticado em pé ou no chão e com qualquer tipo de vestuário. No JIUJ ITSU não pode existir comparação entre um todo e uma parte, como é o caso do JUDO, por exemplo, que nada mais é do que a parte de desequilíbrio do JIU JITSU, ou do Karate, Tae-kwon-do e Kung-Fu, que englobam os golpes traumáticos (ATEMI) e o Aikido que é à parte de torções extraídas do JIU JITSU.

 

Apesar das versões contraditórias, atribui-se a origem do JIU JITSU à Índia, berço de civilizações e de cultura inigualável. Monges Budistas dos longínquos monastérios, obrigados a percorrer longas caminhadas em estradas infestadas de bandidos para propagarem a sua fé, foram os verdadeiros criadores e disseminadores da maior ARTE DE DEFESA PESSOAL do mundo que é inegavelmente o JIU JITSU.

 

Ao Norte da Índia, algumas milhas acima de Benares, há 2.500 a.C. nascia o príncipe Sidharta Gauthama, conhecido como Saquia Muni (Príncipe Solitário) que mais tarde veio a ser Buda- O Iluminado. Com o nascimento do Budismo, surgiu também o JIU JITSU em virtude da necessidade de defesa dos monges, os quais não podiam portar armas, que seria atentatório ao moral de sua religião. Dotados de grandes saber e de perfeito conhecimento do corpo humano, criaram eles o JIU JITSU, (que tem na defesa a sua principal essência), baseados em leis físicas, tais como: Equilíbrio, Momento de força, Alavanca, Inércia, Centro de gravidade, etc.

 

O JIU JITSU é um esporte intelectualizado, tendo em vista sua complexidade. Seus conhecimentos obedecem a uma ordem crescente de controle e inteligência, seu aprendizado é recomendado por médicos, psicólogos e educadores, como integrante da educação, paliativo de tensões psíquicas e fator de desenvolvimento físico. Seus movimentos regulam o controle motor, atuando como efeito de psicomotricidade, autoconfiança e total controle de si mesmo, condicionando os reflexos, induzidos às decisões rápidas e seguras em situações caóticas e consequentemente desprovidas de complexos em seus praticantes.

 

No Brasil, foi introduzido pelo Conde de Koma (Mitsuio Maeda) e difundido pela família Gracie, que ainda hoje, o pratica e ensina. Tem por finalidade, o desenvolvimento do potencial de todos os homens e mulheres, e, visa, principalmente, defesa do individuo sem a pratica da violência. Assim, quem sabe JIU JITSU, mesmo fisicamente fraco, esta em condições de se defender de qualquer agressão através de movimentos que tem por base o princípio da alavanca, sem precisar necessariamente de usar força ou violência. Visa também o desenvolvimento da personalidade do individuo, estimulando as qualidades positivas morais e intelectuais do praticante, pois não se trata de uma luta, e sim, de um SISTEMA DE DEFESA, que exige, antes de mais nada, o uso da inteligência para consumação do golpe que se pretende aplicar. Um praticante de JIU JITSU desenvolve-se fisicamente e mentalmente.

 

Não pretende o JIU JITSU, criar valentões, mas evidentemente seus praticantes se tornam pessoas confiantes, pois, eliminando do subconsciente o medo do golpe físico, que todos têm naturalmente, o praticante do JIU JITSU, se torna, apto a enfrentar qualquer agressão, e o que é muito mais importante, a enfrentar qualquer situação difícil, em qualquer setor da atividade, pois, não temendo sofre a agressão física que possa lhe causar dor, não teme a qualquer agressão psicológica.

 

É Fácil verificar-se a utilidade do JIU JITSU na educação, já que a criança e o jovem são vitimas maiores da insegurança e dos temores, bem depressa aprendem a ter confiança em si mesmo e passam a ter maior desenvolvimento nos estudos, nos esportes em geral e, mesmo no relacionamento familiar, e até mesmo eliminar a agressividade própria dos inseguros e lhes dá a desinibição indispensável ao relacionamento com os semelhantes.

 

Isto é valido também para os adultos, pois a confiança em si próprio é a mola-mestra do sucesso, em qualquer ramo a atividade humana, notadamente naqueles setores em que exige que o individuo se exponha aos olhos, e consequentemente a critica dos que o rodeiam.

 

Pode - se concluir, que o JIU JITSU na forma tradicional e como é ensinando em nossas escolas, é o maior auxiliar da formação moral e intelectual do praticante. Sua pratica é recomendada a todos, pois os princípios de ordem moral e física que seu praticante adquire, trazem-lhe subsídios valiosos na formação do seu caráter e de sua personalidade.

 

 

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Segundo alguns historiadores o JIU JITSU ou "arte suave", nasceu na Índia e era praticado por monges budistas. Preocupados com a auto defesa, os monges desenvolveram uma técnica baseada nos princípios do equilíbrio, do sistema de articulação do corpo e das alavancas, evitando o uso da força e de armas. Com a expansão do budismo o JIU JITSU percorreu o Sudeste asiático, a China e, finalmente, chegou ao Japão, onde desenvolveu-se e popularizou-se.

 

 

A partir do final do século XIX, alguns mestres de JIU JITSU migraram do Japão para outros continentes, vivendo do ensino da arte marcial e das lutas que realizavam. Mitsuio Maeda Koma, conhecido como Conde Koma, foi um deles. Depois de viajar com sua trupe lutando em vários países da Europa e das Américas, chegou ao Brasil em 1915 e se fixou em Belém do Pará, no ano seguinte, onde conheceu Gastão Gracie. Pai de oito filhos, cinco homens e três mulheres, Gastão tornou-se um entusiasta do JIU JITSU e levou o mais velho, Carlos, para aprender a luta com o japonês.

 

Franzino por natureza, aos 15 anos, Carlos Gracie encontrou no JIU JITSU um meio de realização pessoal. Aos 19, se transferiu para o Rio de Janeiro com a família e adotou a profissão de lutador e professor dessa arte marcial. Viajou para Belo Horizonte e depois para São Paulo, ministrando aulas e vencendo adversários bem mais fortes fisicamente. Em 1925, voltou ao Rio e abriu a primeira Academia Gracie de Jiu-Jitsu. Convidou seus irmãos Oswaldo e Gastão para assessorá-lo e assumiu a criação dos menores George, com 14 anos, e Hélio, com 12.


Desde então, Carlos passou a transmitir seus conhecimentos aos irmãos, adequando e aperfeiçoando a técnica à compleição física franzina característica de sua família. Também transmitiu-lhes sua filosofia de vida e conceitos de alimentação natural, sendo um pioneiro na criação de uma dieta especial para atletas, a Dieta Gracie, transformando o JIU JITSU em sinônimo de saúde.

De posse de uma eficiente técnica de defesa pessoal, Carlos Gracie viu no JIU JITSU um meio para se tornar um homem mais tolerante, respeitoso e autoconfiante. Imbuído de provar a superioridade do JIU JITSU e formar uma tradição familiar, Carlos Gracie lançou desafios aos grandes lutadores da época e passou a gerenciar a carreira dos irmãos. Enfrentando adversários 20, 30 quilos mais pesados, os Gracie logo adquiriram fama e notoriedade nacional. Atraídos pelo novo mercado que se abriu em torno do JIU JITSU, muitos japoneses vieram para o Rio, porém, nenhum deles formou uma escola tão sólida quanto à da Academia Gracie, pois o JIU JITSU que praticavam privilegiava as quedas e o dos Gracie, o aprimoramento da luta no chão e os golpes de finalização.

Ao modificar as regras internacionais do JIU JITSU japonês nas lutas que ele e os irmãos realizavam, Carlos Gracie iniciou o primeiro caso de mudança de nacionalidade de uma luta, ou esporte, na história esportiva mundial. Anos depois, a arte marcial japonesa passou a ser denominada de JIU JITSU brasileiro, sendo exportada para o mundo todo, inclusive para o Japão.

 

FONTE: http://old.cbjj.com.br/hjj.htm

 

O Mestre dos Mestres: Mitsuyo Maeda

Por Rafael Werneck, rafael.werneck@graciemag.com e Shu Inagaki

 

A incrível trajetória de Conde Koma, o homem que trouxe o Jiu-Jitsu para o Brasil



“A postura desafiadora de Mitsuyo Maeda conflitava com os princípios da Kodokan, por isso ao ganhar notoriedade passou a classificar sua arte puramente como Jiu-Jitsu”


“Estima-se que Conde Koma tenha feito entre mil e duas mil lutas, enfrentando wrestlers, pugilistas e praticantes de outras lutas, sem perder um único combate”



Muita gente sabe que foi o paulista Charles Miller quem trouxe o futebol para o Brasil. Só não se consegue achar em nenhuma enciclopédia esportiva registro oficial ou relato de testemunhas que comprovem que Miller era um exímio praticante do esporte bretão. O mesmo não se pode dizer daquele que trouxe o Jiu-Jitsu para as terras brasileiras. Conhecido por essas bandas pelo nome de Conde Koma, Mitsuyo Maeda beirava a perfeição quando o assunto era derrotar os outros em uma luta. Antes de desembarcar em terras tupiniquins em 1914, portanto há 90 anos, Maeda percorreu o mundo provando que sua arte era superior às demais. Uma história de vida única e fascinante, que merece ser contada em detalhe nas linhas que se seguem.

 

Mitsuyo Maeda nasceu em 1878 em uma pequena cidade chamada Aomori, localizada ao norte da ilha japonesa de Honshu e conhecida pelo forte frio que faz no inverno. Como a pobreza assolava a região no fim do século XIX, muitos moradores se mudavam para Tóquio ou para outras cidades na tentativa de ganhar dinheiro e fugir do inverno. Felizmente, esse não foi o caso de Maeda, mandado pela família para estudar na escola da elite local, a Hirosaki Junior High School. Mitsuyo lá ficou até o ano de 1886, quando passou a estudar na Waseda High School, em Tóquio. 


Entre os amigos, era conhecido pelo apelido de menino-sumô, em razão de seu grande fascínio pela arte que lhe fora ensinada por seu pai e das várias lutas que vencia contra colegas de escola. Na época da universidade, Maeda foi estudar na Tokyo Specialist School (que hoje tem o nome de Waseda University e é reconhecida como bom centro de ensino) e lá entrou para o clube de judô.  Ao mesmo tempo, ele começou a frequentar a Kodokan, famosa academia de judô que permanece em funcionamento até os dias atuais. 

 

A Kodokan foi fundada por Jigoro Kano, um estudioso que juntou vários estilos do Jiu-Jitsu antigo para criar o judô, arte que posteriormente se modernizaria tornando-se um esporte de muitas quedas, algumas imobilizações mas nenhum soco ou chute. O auge do esporte ocorreu em 1964 quando recebeu o status de "olímpico" ao fazer parte dos Jogos de Tóquio. Mas isso aconteceu muito depois do tempo de Maeda e Kano, que praticaram um esporte que era a mistura de Jiu-Jitsu e judô. Ambas as artes tinham elementos e técnicas de trocação, herdados das antigas batalhas de samurais, que tinham de saber o que fazer depois que suas espadas quebravam no campo de guerra. Hoje em dia, o judô perdeu muito das técnicas antigas, uma vez que os lutadores treinam para ganhar o ouro olímpico tendo de obedecer a uma grande quantidade de regras e tempo de luta.

 

Na Kodokan eram realizadas lutas de judô todos os meses. Maeda fez a sua primeira em 25 de dezembro de 1898. Vestindo a faixa-branca, ele derrotou facilmente cinco ou seis oponentes. E no mesmo dia foi promovido à faixa-roxa. Começava ali uma trajetória incrível. Naquele mesmo 25 de dezembro Maeda seguiu vencendo todos os oponentes que surgiam a sua frente até que, depois de derrotar 15 adversários seguidos, recebeu o primeiro grau da faixa-preta. Desconfia-se que Maeda treinou afinco durante meses antes de tentar a sorte na Kodokan pois não queria arriscar não ser bem sucedido. 


Homem de porte mediano para os padrões japoneses da época, seus 1,64m e 68kg não era o que poderia se chamar de atleta intimidador. Adorava beber saquê e cantar e não se fazia de rogado quando desafiado no meio da rua para uma briga. Não demorava a derrubar e nocautear o petulante que ousou cruzar seu caminho. Em constante evolução, foi promovido ao terceiro grau da faixa-preta em 1901 e se tornou instrutor de judô nas universidades de Tóquio, Waseda e Gakushuin, isto sem falar da escola militar onde também ministrava aulas.


Em 1904, Mestre Jigoro Kano aconselhou Maeda a viajar para os Estados Unidos a fim de mostrar aos yankees as habilidades das artes marciais japonesas. Antes de partir, recebeu o quarto grau das mãos de seu mestre. Mitsuyo Maeda deixou o Japão através do porto de Yokohama em novembro, chegando a São Francisco, na Califórnia, pouco antes do fim do ano. 


Naquela época, os norte-americanos já conheciam um pouco sobre judô, uma vez que o então presidente, Theodore Roosevelt era um grande fã do povo japonês e de sua cultura, chegando a ter um instrutor particular de judô chamado Yamashita. Em busca de melhorar a defesa pessoal, alguns militares americanos também já aprendiam judô em suas bases. Logo, cabia a Maeda e seus companheiros lutar contra os norte-americanos e provar a superioridade japonesa.

 

Na famosa escola militar de West Point, Maeda enfrentou um jogador de futebol americano e praticante de wrestling. Depois de suas costas grudadas ao chão, o que nas regras do wrestling daria a vitória ao americano, Maeda continou lutando e venceu o combate com uma chave de braço. Os americanos não aceitaram o resultado e propuseram um novo desafio, desta vez contra o companheiro de Maeda, um experiente aluno de Kano chamado Tomita. Os yankees acreditavam que enfrentar Tomita seria uma honra maior por se tratar de um lutador melhor [na verdade, Tomita era muito melhor professor do que realmente lutador]. 

 

Para desespero de Maeda, seu parceiro foi facilmente derrotado, e de forma embaraçosa para qualquer praticante de judô ao ser imobilizado pelo norte-americano. Aquilo foi demais para Maeda, que rompeu com Tomita e decidiu seguir viagem sozinho. A opção então foi rumar para Nova York, onde participou de várias lutas de vale-tudo para ganhar dinheiro. Na primeira, diante de um westler 20 centímetros maior e que gostava de ser chamado pela alcunha de "O menino açougueiro", Maeda derrubou o oponente várias vezes antes de finalizar na chave de braço. Três lutas e três vitórias depois, uma delas diante do então campeão mundial dos pesos pesados de boxe, Jack Johnson, Maeda iniciava a tradição que seria seguida no Brasil por Helio Gracie e seus discípulos em derrotar adversários muito mais altos e mais fortes. Os Estados Unidos já estavam pequenos demais para ele.

 

Três anos depois, em 1907, Maeda rumou para o Reino Unido, onde venceu mais 13 lutas e em seguida para a Bélgica, onde fez mais uma vítima. Era hora de voltar à América. E o destino foi a ilha caribenha de Cuba. Lá, muito antes de Fidel Castro sonhar em assumir o poder, quem mandava era Maeda. Foram ao todo 15 vitórias, em dois períodos intercalados por uma rápida passagem pelo México onde derrubou mais quatro adversários. É importante ressaltar que estas são apenas as lutas oficiais. Não estamos falando de desafios feitos no meio da rua. Se contados lutas, só em Cuba foram mais de 400.


Essa postura desafiadora de Mitsuyo Maeda conflitava com os princípios da Kodokan, e ao ganhar notoriedade passou a classificar sua arte puramente como Jiu-Jitsu e não mais Judô. Depois de muito viajar pelo mundo, em 1914 Mitsuyo Maeda desembarcou no Brasil, mais especificamente em Santos. Pouco ficou na cidade do litoral paulista, indo se fixar em Belém. Entre idas e vindas ao Reino Unido, Nova York e Cuba, Mitsuyo chegou usar o nome de Yamato Maeda. Yamato é um nome antigo de Japão, e usava este nome quando representava o país mundo afora. Mas foi na Espanha que passou a ser chamado de Conde Koma, nome da academia de judô que fundou na capital paraense e pelo qual ficou conhecido no Brasil. Em sua academia, Maeda ensinava Jiu-Jitsu como uma técnica de defesa pessoal para lutas de vale-tudo. 

 

No início dos anos 20, o já famoso Conde Koma se envolveu na fracassada tentativa do império japonês de colonizar a Região Norte do Brasil. Acuado, foi ajudado por um homem com grande influência política chamado Gastão Gracie, cuja família havia imigrado da Escócia. A amizade entre os dois cresceu e certo dia Gastão fez uma oferta a Maeda: queria que ele ensinasse Jiu-Jitsu a seu filho Carlos. 
 

Conde Koma morreu no dia 28 de novembro de 1941, aos 63 anos. Estima-se que ele tenha feito entre mil e duas mil lutas, enfrentando wrestlers, pugilistas e praticantes de outras lutas, sem perder um único combate. Muitos imigrantes japoneses e amigos brasileiros compareceram ao funeral para agradecer ao mestre que havia tocado suas vidas de maneira tão determinante. Desde aquele dia, Mitsuyo Maeda, ou simplesmente Conde Koma, descansa em paz no Cemitério de Belém, no Pará.

 

Um discípulo de sobrenome Gracie

 

Foi depois da fracassada tentativa do império japonês de colonizar o norte do território brasileiro que nasceu a amizade entre Conde Koma e Gastão Gracie, patriarca de uma família de imigrantes escoceses que havia se fixado em Belém. Em retribuição à acolhida no momento em que era grande a rejeição aos japoneses no Brasil, Koma passou a ensinar sua arte ao mais velho dos filhos de Gastão, Carlos. São poucas e conflitantes as informações a respeito deste período, mas o fato é que Carlos foi aluno de Koma por não menos do que dois anos e não mais do que quatro.  


Durante este tempo, o japonês ensinou ao irmão de Helio os princípios fundamentais do Jiu-Jitsu, como o de utilizar a força do oponente como arma para a vitória, bem como técnicas eficientes para vencer em lutas de vale-tudo. Seu método de luta principal era usar chutes baixos e cotoveladas para se aproximar do adversário antes de levá-lo para o chão. Nos treinamentos, botou em prática o “randori”, treino à vera que havia sido banido por Jigoro Kano em suas aulas.


Anos depois, em 1925, Carlos Gracie abriu sua própria academia de Jiu-Jitsu. Para os seus alunos, passou ensinamentos e métodos desenvolvidos por ele próprio através dos anos. Enquanto isso, Maeda seguiu viajando pelo Brasil e pelo mundo. Ensinadas as técnicas básicas e a visão estratégica que um lutador necessita para vencer, não havia muito mais o que fazer. Estava passada aos Gracie a missão de desenvolver o Jiu-Jitsu. E assim aconteceu.   

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10 anos sem Carlos Gracie


“O Jiu-Jitsu deu um rumo em minha vida” – Carlos Gracie


“Uma das maiores heranças que ele deixou foi o poder da disciplina e da força de vontade” – Rilion Gracie


Em 1994, o Brasil perdia a alma do Jiu-Jitsu, mas seu legado...



O primeiro arqui-rival dos Gracie não foi nenhum japonês, mas sim um nativo casca-grossa. No inicio do século XX, o pequeno Carlos, neto de um imigrante escocês que se estabelecera na verde Belém do Pará, não hesitava em enfrentar um adversário de olhos arregalados, estilo rasteiro e unhas e dentes. 


Não era raro se flagrar aquele irrequieto filho de um figurão local brincando de pique-pega com um jacaré que vivia no rio próximo à casa do menino. O Gracie sempre levava vantagem: curioso e dotado de um senso de observação aguçado, Carlos havia percebido que o réptil não enxergava debaixo d’água, apenas nadava em linha reta, e para mudar de trajetória tinha de pôr a cabeça para fora. Saindo simplesmente da direção dos dentes do animal, o Gracie vencia sempre.

 

Essa e tantas outras histórias foram resgatadas pela filha Reyla Gracie e aparecerão pela primeira vez no livro em que ela quer contar a história do pai, nascido em 14 de setembro de 1902, o primeiro membro da família a tomar contato com a arte marcial que, nos anos que se seguiriam, seria impossível dissociar do nome Gracie. O Jiu-Jitsu, assim, foi a vida de Carlos (e vice-versa) desde que seu pai Gastão, tentando canalizar a energia do menino que mostrava ter poucos limites, o deixou aprendendo uma nova luta com um japonês seu amigo, Mitsuyo Maeda, já conhecido como Conde Koma.

 

Aos 14 anos, assim, Carlos começaria uma saga que, mesmo sem ninguém supor, ganharia ringues e academias de todo o planeta. Ou será que alguém já poderia imaginar? “De todos os alunos que o Conde Koma ensinou, que não foram poucos, já que ele viajava o mundo e vivia profissionalmente do Jiu-Jitsu, somente um aluno entendeu a grandeza daquele conhecimento, adotando o Jiu-Jitsu como profissão. Acredito que meu pai Carlos teve desde cedo essa compreensão do que ele começava a aprender, não foi à toa ele ter criado uma escola que perdura há 80 anos”, afirma Reyla, que trabalha no livro desde 1999 reunindo entrevistas, recortes da imprensa da época, livros e documentos sobre o assunto.


De fato, quando Carlos começou a travar os primeiros contatos com as técnicas de Conde Koma, em 1916, o jovem Gracie ainda era uma personalidade em formação, tal qual a rústica Belém do Pará, que fazia as vezes de porto de entrada do Brasil, com influências das culturas européia e japonesa, e por outro lado era totalmente selvagem, com índios, mata fechada e os rios onde os mais destemidos brincavam.

 

“O Jiu-Jitsu deu um rumo em minha vida”, costumava dizer Carlos. Dedicado aos treinos e interessado nas técnicas, não demorou para que o irmão mais velho de Helio Gracie se destacasse dos demais alunos. “Certa vez o Conde Koma precisou de um voluntário para demonstrar uma espécie de estrangulamento, e o Carlos se ofereceu. O japonês não aceitou e chamou outro, e depois explicou a meu pai: ‘Você será um campeão, e não está aqui para ser estrangulado’”, lembra o faixa-preta Rilion, um dos 21 filhos do patriarca da família famosa. 


Com as constantes idas e vindas do nômade Maeda, Carlos não diminuía o ritmo de treinamentos, passando a apurar as técnicas com outro aluno do japonês, o empresário local Jacinto Ferro. “O admirável é que nem o Ferro nem o Conde Koma estabeleceram uma academia por ali, nenhum pupilo levou adiante, e o Jiu-Jitsu no próprio Pará desapareceu. Quem o levaria de volta foi, décadas depois, alguém que aprendera na escola dos Gracie, no sudeste do país”, lembra Reyla. Com a situação deteriorando economicamente na família, o pai catou-o juntamente com os irmãos mais novos, Osvaldo, Gastão, Jorge e Helio, o último 11 anos a menos que Carlos, para tentarem novos ares no Rio de Janeiro, depois em São Paulo e Belo Horizonte. 


Aos 22 anos, Carlos Gracie passou a viver profissionalmente do Jiu-Jitsu. Foi a época dos desafios publicados em jornais, (“Quer uma costela quebrada? Procure Carlos Gracie”, dizia um deles), da busca de adversários, do nascimento do vale-tudo e da oposição e desconfiança dos praticantes de outros estilos. “Ele não tinha cara de lutador, mas de jogador de xadrez. Então chegava para treinos em academias de polícia. Como não davam crédito, ele tinha que demonstrar a eficiência da arte que acreditava, que o Jiu-Jitsu operava milagres e que ele mesmo bom lutador”, diz Rilion.

 

A irmã Reyla esclarece: “Carlos sempre foi totalmente contra a associação do Jiu-Jitsu com a violência. Obviamente que, no inicio, Carlos botava anúncio nos jornais e desafiava estivadores muito mais musculosos no cais do Porto até porque, na década de 30, existia a necessidade de firmar uma supremacia e formar uma identidade. Foi quando começaram os comentários: ‘Os Gracie são invencíveis’. ‘Os Gracie resolvem na porrada’ (risos)”, diz. “Mas cada momento histórico era diferente. Quando na década de 70 o Jiu-Jitsu se transformou em esporte, não havia mais a necessidade de provar nada. É como hoje, quando fazer ou não vale-tudo começa a ser uma opção pessoal; não há mais a necessidade que havia nos tempos de papai e Tio Helio de provar a supremacia e eficiência do Jiu-Jitsu no ringue”, conclui.

 

O papel de Carlos para os filhos, assim, foi muito maior do que até hoje os fãs e torcedores têm conhecimento. O velho Gracie acumulou o papel de professor, estrategista, promotor, idealizador e formador do clã, o que Reyla pretende mostrar com o livro, programado para ano que vem, três anos depois do centenário de Carlos. “Existe o homem e a obra. A obra do meu pai foi o Jiu-Jitsu, a família e a alimentação, que estão entrelaçados por toda sua história. A família também é um legado que ele idealizou, um produto do pensamento dele. Porque o próprio projeto do Jiu-Jitsu dependia da família. Criando uma tradição dentro da família, seria uma garantia que o Jiu-Jitsu seria perpetuado e difundido

 

Para Rilion Gracie, os dez anos sem o pai deixaram de fato algumas lacunas e muitas heranças: “Uma das maiores heranças que ele deixou foi o poder da disciplina e da força de vontade. Nunca vi meu pai um dia sem fazer exercícios físicos, e uma época, ele passou seis meses indo todo dia ver o sol nascer do Cristo Redentor, onde meditava. Todo dia, não deixava de ir nunca”, lembra o filho. “Ele era o ponto de referência da família, o núcleo, e na década de 80 sempre ao fim dos campeonatos todos se reuniam para avaliar o desempenho de cada um, os erros e acertos. Senti que quando ele morreu isso se perdeu um pouco. E ele nunca bateu num filho, nem falava ‘FDP, enfia a porrada nele’, diante dos adversários. Só passava coisa boa, então isso não tem preço”, diz.

 

Nada porém recebeu maior gratidão de todos os membros da família do que a alimentação particular elaborada por Carlos Gracie, durante anos a fio, baseada em estudos e experimentos aos milhares. Depois de incutir nos filhos, sobrinhos e netos a necessidade de escutar o corpo e ingerir tudo em benefício do organismo, hoje não é exagero dizer que já são 50 anos de consagração da alardeada Dieta Gracie, cujo princípio básico é evitar o excesso de acidez na alimentação, o que para seu criador era a principal causa da deterioração do organismo e o conseqüente mal-funcionamento dos órgãos. A dieta visa então a manter as refeições as mais alcalinas possíveis, equilibrando as substâncias através da combinação certa. 


Resumir no entanto a ciência de Carlos a isso é no entanto diminuir muito de sua obra, uma das coisas aliás com que Reyla mais se preocupa enquanto prepara sua história: “Ele antecipou várias das hoje tão propagadas descobertas científicas, como o papel benéfico do caroteno, substância encontrada no mamão e na cenoura, o conceito dos radicais livres e da medicina ortomolecular, sem falar no seu pioneirismo em relação ao hábito de tomar açaí, suco de melancia, água de coco, vitaminas batidas” , ressalta ela. “E, quando ninguém falava em nutrição, ele percebeu a validade de cortar a carne vermelha antes das lutas do Tio Helio, já que a carne dá poder de explosão, mas não resistência a longo prazo. A comprovação da eficiência da dieta dele portanto não demorou: em 1955, Tio Helio não lutou com o Waldemar durante 3h40m ininterruptamente?”.

                

O interesse na saúde e alimentação, como tudo na vida do neto de escoceses, não foi aleatório. Lado a lado com a crescente desconfiança em relação à medicina tradicional, o especialista naquela nova arte marcial percebeu a necessidade de cuidar, através de sua própria dieta, da melhor forma de sua principal ferramenta de trabalho, o corpo.

 

Carlos Gracie, de fato, fez de quatro a cinco lutas célebres, sendo a última delas contra Rufino, em 1931, cuja foto Reyla guarda a sete chaves, e outra, essa um vale-tudo puro, no Rio de Janeiro, contra o capoeirista Samuel. “Lá pelas tantas o Samuel se viu obrigado a agarrar os testículos dele”, rememora Rilion. A mais famosa, no entanto, foi mesmo mais um clássico Gracie x Japão, realizado em São Paulo, em 1924. Contra Geo Omori, que se dizia representante do Jiu-Jitsu japonês, Carlos fez o combate que mais o marcou. Quase ao final dos três rounds de três minutos, o Gracie encaixou a chave inapelável no braço do adversário, olhou para o juiz e este mandou seguir. Carlos quebrou o braço do rival, mas este não se abalou e ainda deu uma queda num desconcentrado Gracie, antes do final da luta, que terminou empatada e com ambos se reverenciando, num tempo em que só batendo ou dormindo alguém saía derrotado.

 

Pelo que se conta, porém, a cena mais marcante foi da torcida paulista, que atirou os chapéus no ringue tão logo o brasileiro partiu o braço do adversário. “Ele se especializou no armlock”, atesta sempre orgulhoso Rilion. “Pois uma coisa era dar o armlock quando o cara dava bobeira, mas ele avisava antes, ‘vou te ganhar no armlock’, e o cara encolhia o braço. Então ele desenvolveu uma técnica de como buscar o braço quando o cara sabia que ele ia no armlock. Ao meu ver, isso é o início do aperfeiçoamento do Jiu-Jitsu brasileiro, que é marcado por induzir o adversário ao erro, onde o mais fraco consegue superar o mais forte”. 

 

 

FONTE: http://old.cbjj.com.br/carlos1.htm.

Legião Team 

 

Resgatando a importância de saber a verdadeira HISTÓRIA do nosso JIU JITSU BRASILEIRO.

 

PRESIDENTE FUNDADOR

 

 

LEGIO TEAM OMINIA VINCIT

AD UTRUMQUE PARATUS

SSE SEMPER FIDELIS

FORTITUDE ET HONORIS!

                

Professor Legionário 01 Iranilson Lima de Medeiros

Presidente e Fundador da Legião Team

Coordenador Geral Brazilian Jiu Jitsu e Goshin Jitsu 

Professor Faixa Preta 5º Grau

Reg. 11.430/1999 FJJRIO Reg. 271.2000 FJJRN Reg. 37.780 CBJJ IBJJF

Reg. 2470 JJGF Reg. 22.320 SJJSAF 807 CBJJE

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